Friday, October 15, 2010

Sobre os sonhos realizados e por realizar

Vou confessar que eu esperei ansiosamente o Tomas andar. Acho que desde antes de ficar grávida, imaginava ele correndo pela casa atrás de mim, de pé do meu lado enquanto eu cozinhava, ou nós dois andando de mãozinhas dadas pela rua. O verão de 2010 vai sempre estar associado à realização desses sonhos.

Aproveitamos muito estes últimos meses. Criar uma criança em Nova York pode chegar a ser cruel, de tão duro e difícil, mas pode ser também um paraíso. Depois desse verão, eu escolho ficar com a sensação gostosa das nossas tardes idílicas no Central Park, com o Tomas correndo naquele gramado verde a perder de vista, da gente sentado em uma toalha, comendo melancia e rindo sem motivo; das nossas brincadeiras nas fontes de água, onde ele se encharcou muitas vezes ao dia, feliz; da sujeirada dos tanques de areia (e como ele comeu areia - e, depois, fez cocô de areia!); dos parquinhos, onde ele aprendeu a correr, a subir e a descer, a rodar e escorregar e onde ele fez amizades (algumas passageiras e outras de todas as horas, como Thomas e Juju), tão importantes para nós dois. Tudo isso sem marcar hora, sem planejar, porque tínhamos tudo no “quintal” de casa.

E teve a nossa primeira viagem em família, os nossos cafés gelados no Starbucks (água com canudo para o Tomas!), os passeios de carro, os passeios de “moto”, a primeira vez que ele viu o mar e a praia nos Hamptons, a primeira vez na fazenda em Tarrytown onde ele se assustou com as ovelhas, os banhos de piscina na Flórida, as brincadeiras no jardim do Nicolas, o reencontro com amigos queridos e distantes (Bernardo em Miami, Alex em Boston e Raquel em Nova York), as visitas dos abuelos e dos avós, as tardes de música, dancinhas e alegria.

Fiz esse clipe de fotos porque com tanta atividade não me sobrou energia para escrever aqui. A alegria dos últimos meses veio acompanhada de uma exaustão igualmente indescritível. Ao que tudo indica, em vez de escrever uma tese de literatura, eu estava fazendo um experimento inédito de matemática, tentando inventar um dia de 72 horas, em que eu era mãe 24 horas, doutoranda 24 horas e dona-de-casa 24 horas – um experimento obviamente fracassado.

Então, agora que chega o outono e os longos meses de inverno, o blog vai hibernar. Decidi que preciso terminar de escrever a minha tese, retomar certas coisas que suspendi no primeiro ano do Tomas e reorganizar minha vida para ter um pouco mais de tempo: para mim, para o Enrique, para minha família e amigos e para as tantas idéias que estão estacionadas na minha cabeça, esperando concretizar-se.

E, o mais importante, ter tempo de qualidade para o Tomas. Cuidar dele sem descanso me ensinou que não adianta olhar e não ver, brincar e não se divertir, passar horas na cozinha para depois comer com pressa. A vida com ele reclama uma alegria genuína que nem sempre eu consigo oferecer por causa do cansaço. Estou cheia de esperanças de que com uma tese entregue e um diploma na mão, eu vou ser uma mãe melhor para o meu companheiro de todas as horas.

Eu deixo pra vocês (e para mim) essa inspiração que é o sorriso do Tomas, cheio de energia, luz e amor, e esse olhar, que tudo sonha e tudo pode.

PS. Se voltarmos, aviso. Porque adoramos receber o carinho de tanta gente querida, que mesmo não deixando comentários, participa de longe, e nos dá ânimo para viver e contar nossas aventuras.

Tuesday, September 7, 2010

A primeira bicicleta



Este foi o momento em que ele ganhou a bicicleta. Faz três meses já e fico espantada como ele mudou de lá para cá.

O Tomas ganhou de aniversário do abuelo sua primeira bicicleta (que a gente chama de moto porque parece mais uma motinho). Ele sempre ficava doido quando via alguma criança no parque com uma e, apesar de ele não saber pedalar, achei que dava para começar a usar.

O Enrique estava viajando quando a caixa chegou e eu já sabia que a bicicletinha vinha totalmente desmontada. Até tentei esperar, mas depois de dois dias, não aguentei a ansiedade e montei tudo sozinha. Passei umas duas horas separando parafuso, porca, peças e depois encaixando e apertando tudo. O resultado não foi o melhor: o guidão, por exemplo, se soltava e os pedais travavam um pouco. (Quando o Enrique chegou, ele teve que desmontar algumas partes e voltar a montar, apertando melhor todos os parafusos para evitar um acidente de percurso).

Na manhã seguinte, quando o Tomas acordou, o levei para a sala, onde estava a moto. A expressão dele foi uma das coisas mais lindas que eu já vi. Ele primeiro olhou, sem enteder, pensando se era dele; daí, quando ele entendeu que era, os olhos dele brilharam de alegria. Ele ficou sentado um tempão, pulando e segurando o guidão. Ele era felicidade pura!

Ultimamente, quando ele escuta a palavra passear, ele corre e senta na moto. E, ai da gente se sugerir colocá-lo no carrinho... Tem dias que não saímos se não for na moto! Ele faz muito sucesso "dirigindo" pela rua. E, cada vez que alguém diz alguma coisa, ele toca a campainha que fica no guidão. Ele adora saludar as pessoas com um ring, ring!

Thursday, August 26, 2010

Iogurte e independência





Desde que voltamos das férias, o Tomas tem demonstrado vontade de comer sozinho, com a colher – sozinho, com a mão, ele já comia há bastante tempo. Obviamente, ele não consegue comer direito, mas eu fui deixando porque ele se sentia muito importante. O problema é que agora ele insiste em comer com a colher e as refeições começam a demorar um pouco mais. E demandar uma boa dose de paciência da minha parte! Sem falar do trabalho de varrer o chão a cada vez que ele come. O lado bom é que acaba me dando uma folguinha para eu comer enquanto ele almoça (normalmente, eu ia fazendo as duas coisas e acabava engolindo a comida rápido).

Hoje, me inspirei na minha amiga Ester e no Alex, o bebê mais gênio do mundo. Ela me mandou um vídeo dele comendo iogurte sozinho e ele parecia uma criança de dois anos (ele tem a idade do Tomas)! Uma fofura só.

Isso tudo faz parte da nosso objetivo de ensinar nossos filhos a comer sozinhos antes de começar a creche, já que lá eles não dão comida na boca da criança e sugerem que os pais mandem um almoço que a criança possa comer sozinha. Acho que a coisa não é tão radical como pintam, mas não custa nada treinar os pimpolhos porque ela, como boa espanhola, prefere a dieta mediterrânea e eu quero mais é que o Tomas coma arroz e feijão todos os dias.

Nessas tentativas, a Ester descobriu um iogurte que é mais firme e mais fácil de comer sozinho, tipo um danoninho. Aproveitando que encontrei para comprar no supermercado, resolvi brincar um pouco de menino grande com o meu bebê!

Aqui está o nosso lado do experimento. Para a primeira vez, foi pelo menos divertido. Eu gargalhava de um lado e o Tomas do outro. Reparem que a colher vai mais vazia do que cheia para a boca e que, no final, ele queria era comer o copo!

Monday, August 23, 2010

Drama no salão

Não ficou a cara do Enrique?

O Tomas está de cabelo novo. Pena que a última experiência dele no cabeleireiro não tenha sido nada boa (bastante diferente da primeira vez no salão). Ele não quis sentar no carrinho, jogou longe os brinquedos que usamos para distraí-lo e não podia nem ver a cabeleireira se aproximar com a tesoura que agarrava forte no nosso pescoço. Quando vi o desespero dele, eu quase desisti. Mas o Enrique me convenceu a continuar porque ele achou que se a gente saísse de lá, o Tomas não voltava nunca mais – e acho que não voltaria mesmo.



Ele chorou tanto, tanto que tivemos que segurá-lo no colo. Eu e o Enrique nos revezamos na tarefa de abraçá-lo e agarrar os braços dele que voavam para tudo quanto é lado, enquanto a mulher ia cortando o cabelo como dava. No final, depois de uma luta e um escândalo consideráveis, ele acalmou porque já estava simplesmente exausto de tanto chorar. Nessa hora, enquanto eu fazia carinho nos bracinhos dele, senti que o corpinho dele tremia. Eu morri de pena e até agora estou me sentindo mal de ter deixado ele passar por isso. Foi uma experiência tão traumática (pra ele e pra mim) que acho que só voltamos daqui a um ano.

Papa e mamãe felizes, Tomas exausto.

Monday, August 9, 2010

Brincar também cansa



O Tomas está com uma mania engraçada. Ele brinca, brinca, brinca e, quando ele cansa, ele senta em algum lugar e descansa. Se estiver em casa, ele vai no quarto, pega o travesseiro dele e dá uma deitadinha no chão. Se estiver no parque, ele normalmente procura um degrau ou uma grade para encostar. Agora, por pura diversão, a gente diz pra ele: “Relaxa, Tomas”. Daí ele vai até o sofá, deita a cabecinha e relaxa!

Thursday, August 5, 2010

Wednesday, August 4, 2010

Minhas férias



Tiramos as nossas primeiras férias em família. Passamos uma semana em Fort Lauderdale com a abuela e depois fomos oito dias para Turks e Caicos.



O Tomas adorou o hotel, a piscina e a areia. Ele ficou com um pouco de medo do mar (na Flórida, ele não queria nem chegar perto da água), mas acabou entrando no nosso colo quando chegamos ao Caribe. O mar era gostoso, sem ondas, transparente e morninho. A areia parecia talco de bebê e ele cavou muitos buracos todos os dias. Ele levou ao pé da letra a experiência de provar a areia e o mar – além de comer muita areia, cada vez que entrava no mar, ficava bebendo a água salgada.



Nossos dias seguiam o ritmo dele, o que significava acordar às 6 da manhã (ou às 5 e meia...), tomar café, ir para a praia e subir às 9 e meia para um cochilo. Depois, só voltávamos para o sol lá pelas 3, 4 da tarde, quando ele acordava do segundo cochilo. A vantagem é que íamos contra o fluxo e sempre conseguimos as melhores cadeiras na praia, na piscina e no restaurante.



Ele andou por todo o hotel, brincou com as pedras do jardim, com o chuveiro de limpar o pé na saída da praia.




Ele não podia ver a piscina que ia correndo para entrar, não importava a hora.



Ele fez vários amigos: o carregador de mala, os garcons do café da manhã e uma menininha linda chama Sophiejaya. Todos adoraram ele. E nós também acabamos fazendo amigos por causa do Tomas.



Estava preocupada com as férias, como faríamos com a comida dele, se ele ia dormir no berço do hotel, se ele ia aguentar o calor, o que eu e o Enrique faríamos depois que ele dormisse às 7 da noite... As noites não foram exemplares – ele acordou gritando alguns dias e demos uns cinco passos para trás no desmame por conta disso – mas acabamos dando um jeito no resto. Fomos a um supermercado e ele passou a semana a pão sírio, queijo, frutas, iogurte e macarrão de microondas (apesar de eu quase chorar cada vez que dava aquela coisa borrachenta para ele). Eu e o Enrique passamos umas noites muito legais na varanda do quarto, tomando vinho, comendo, conversando e lendo livros.


Deu trabalho, cansamos descansando, mas valeu a pena. Ficou a memória gostosa de umas férias felizes.

Monday, July 26, 2010

Sumiço

Nem acredito que faz dois meses que não escrevo no blog. O Tomas começou a andar no dia 6 de junho – já vinha ensaiando antes, mas neste dia deu dez passos seguidos e não parou mais. Nem ele, nem eu. Foram dois meses intensos em que nossa vida mudou completamente, mais uma vez. Ainda tive que entregar parte da minha tese para meu exame anual do doutorado no meio de julho, então, me faltaram horas no dia para dar conta de tudo.

Agora estamos aproveitando nossas férias. E, como nunca, essas sim são merecidas férias. Voltamos já, já!