Vou confessar que eu esperei ansiosamente o Tomas andar. Acho que desde antes de ficar grávida, imaginava ele correndo pela casa atrás de mim, de pé do meu lado enquanto eu cozinhava, ou nós dois andando de mãozinhas dadas pela rua. O verão de 2010 vai sempre estar associado à realização desses sonhos.
Aproveitamos muito estes últimos meses. Criar uma criança em Nova York pode chegar a ser cruel, de tão duro e difícil, mas pode ser também um paraíso. Depois desse verão, eu escolho ficar com a sensação gostosa das nossas tardes idílicas no Central Park, com o Tomas correndo naquele gramado verde a perder de vista, da gente sentado em uma toalha, comendo melancia e rindo sem motivo; das nossas brincadeiras nas fontes de água, onde ele se encharcou muitas vezes ao dia, feliz; da sujeirada dos tanques de areia (e como ele comeu areia - e, depois, fez cocô de areia!); dos parquinhos, onde ele aprendeu a correr, a subir e a descer, a rodar e escorregar e onde ele fez amizades (algumas passageiras e outras de todas as horas, como Thomas e Juju), tão importantes para nós dois. Tudo isso sem marcar hora, sem planejar, porque tínhamos tudo no “quintal” de casa.
E teve a nossa primeira viagem em família, os nossos cafés gelados no Starbucks (água com canudo para o Tomas!), os passeios de carro, os passeios de “moto”, a primeira vez que ele viu o mar e a praia nos Hamptons, a primeira vez na fazenda em Tarrytown onde ele se assustou com as ovelhas, os banhos de piscina na Flórida, as brincadeiras no jardim do Nicolas, o reencontro com amigos queridos e distantes (Bernardo em Miami, Alex em Boston e Raquel em Nova York), as visitas dos abuelos e dos avós, as tardes de música, dancinhas e alegria.
Fiz esse clipe de fotos porque com tanta atividade não me sobrou energia para escrever aqui. A alegria dos últimos meses veio acompanhada de uma exaustão igualmente indescritível. Ao que tudo indica, em vez de escrever uma tese de literatura, eu estava fazendo um experimento inédito de matemática, tentando inventar um dia de 72 horas, em que eu era mãe 24 horas, doutoranda 24 horas e dona-de-casa 24 horas – um experimento obviamente fracassado.
Então, agora que chega o outono e os longos meses de inverno, o blog vai hibernar. Decidi que preciso terminar de escrever a minha tese, retomar certas coisas que suspendi no primeiro ano do Tomas e reorganizar minha vida para ter um pouco mais de tempo: para mim, para o Enrique, para minha família e amigos e para as tantas idéias que estão estacionadas na minha cabeça, esperando concretizar-se.
E, o mais importante, ter tempo de qualidade para o Tomas. Cuidar dele sem descanso me ensinou que não adianta olhar e não ver, brincar e não se divertir, passar horas na cozinha para depois comer com pressa. A vida com ele reclama uma alegria genuína que nem sempre eu consigo oferecer por causa do cansaço. Estou cheia de esperanças de que com uma tese entregue e um diploma na mão, eu vou ser uma mãe melhor para o meu companheiro de todas as horas.
Eu deixo pra vocês (e para mim) essa inspiração que é o sorriso do Tomas, cheio de energia, luz e amor, e esse olhar, que tudo sonha e tudo pode.
PS. Se voltarmos, aviso. Porque adoramos receber o carinho de tanta gente querida, que mesmo não deixando comentários, participa de longe, e nos dá ânimo para viver e contar nossas aventuras.















